quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Workshop de Escrita de Diálogos em Lisboa

É nas conversas que o mundo se constrói e destrói, seja nos murmúrios dos amantes, seja nas conversações diplomáticas que decidem a história. As conversas, os diálogos, os silêncios entre duas ou mais personagens são o alicerce do teatro, do cinema e metade ou mais da ficção que se escreve.
Mas, se as conversas são o alicerce do nosso dia a dia, é também algo que fazemos inconscientemente, muitas vezes sem saber como o fazemos, para quê e com que efeitos.
Neste curso breve sobre a arte de escrever diálogos vamos tentar descobrir o mais omnipresente e desconhecido dos gestos humanos, a fim de descobrir os silêncios que se escondem nas palavras.

8 de Janeiro de 2011
Sábado
Das 11h às 18h
Na Escreverescrever

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Reposição de Vítima da Crise no Teatro Latino



Como a própria crise, este espectáculo dura, e dura e dura...

De 10 a 13 de Novembro, pelas 22h, na Sala Estúdio Latino.
Descontos para grupos de 7 pessoas ou mais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Terramoto no Chile, no Contagiarte



É esta quinta-feira, pelas 22h30, no Contagiarte, que arrisco uma leitura encenada de um dos mais fascinantes, ferozes e inclassificáveis contos da literatura ocidental.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Retratinho Bruce Lee - Antestreia

Cartaz Bruce Lee

Terra na Boca

Sexta e sábado, 3 e 4 de Setembro, pelas 22h, nas Galerias Lumière.

Entrada Livre

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A cabeça de um escritor

A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa

um paradoxo nos termos)

mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos, expressão roubada a Shakespeare

we few, we happy few, we band of brothers)

capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias. Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa. O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-sellers. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem de subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops:

ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro.

Vende menos? Decerto, mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparece amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo, cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco comecei uma biblioteca na empresa onde estou.

Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta:

­Como vão os livros da biblioteca?

Resposta:

Pingam

e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que eu ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.

­Pingam:

e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.

E o que interessa

(volto à Gide)

o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale a pena são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja dos trezentos.

António Lobo Antunes - Visão

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

10 dicas sobre escrita, por David Soares

1- Não escrever como se fala.

Aquilo que é desculpável no decurso de uma conversa não é tolerável num texto. Poucas coisas são tão denunciadoras da falta de talento de um escritor como a coloquialidade.

2- Aprender a gramática.
É melhor aprendê-la que fingir que a ignorância é um estilo de escrita arrojado. A gramática é como as leis da física: não é negociável. O que significa que um texto que a descure é, na maioria das vezes, ilegível. Quando alguém diz que a gramática não é importante, esse alguém não sabe escrever.

3- Apesar de aprender a gramática, escrever como um escritor e não como um linguista.
Os linguistas odeiam literatura, porque a literatura porta-se mal. Na maioria das vezes, eles têm razão, mas isso não deve consistir num obstáculo à imaginação - que é aquilo de que se ocupa (ou deveria ocupar-se) a literatura. Livros comoFinnegans WakeA Clockwork Orange ou Riddley Walker são anátemas para os linguistas, mas sem esses títulos a cultura ocidental seria muitíssimo mais pobre. Todavia, não pensem, nem por um segundo, que Joyce, Burgess e Hoban não aprenderam gramática (dica número 2).

4- Escrever um livro e não um guião de cinema.
Nas listas de conselhos para aspirantes a escritores não é novidade encontrar a dica da economia de descrições, mas que tipo de descrições, ao fim e ao cabo, devem ser económicas? Eu acho que o leitor não precisa de saber a cor dos olhos de todas as personagens do livro, ou outros detalhes da mesma ordem, mas os ambientes e os estados de espírito dos protagonistas devem ser descritos com requinte. Afinal de contas, o leitor comprou um livro e não um guião de cinema, por isso não escrevam livros como se eles fossem guiões de cinema (vulgo, colecções de diálogos intercalados com acção). Infelizmente, a literatura dita de género é fartíssima em exemplos dessa natureza, o que afasta leitores experimentados em outros tipos de literatura, mais ricos em discurso indirecto. É aqui que reside, também, um erro de percepção de leitores menos experientes: é que ser empolgante apenas significa ser empolgante, não significa ser bem escrito. Sejam exigentes.

5- Ser erudito.
Sejam inteligentes a escrever.
Escrevam livros inteligentes e não tratem os leitores como se eles fossem parvos.
Não se pode saber tudo, mas pode-se tentar. Procurem estar sempre bem informados e actualizados sobre tudo. Tentem saber o máximo que conseguirem do assunto sobre o qual querem escrever. Invistam em livros e leiam todos os dias. Não há nada mais triste do que um escritor que não é erudito.

6- Ler os clássicos.
Os clássicos da literatura são a fonte de tudo o que se escreve, realiza e encena. Conheçam-nos bem e percebam de que maneiras é que ainda reverberam no presente e de que formas é que o vosso trabalho comunica com eles. Não me refiro, somente, à ficção, mas também aos clássicos da filosofia, da história, da teoria da arte. Não há nada mais triste do que um livro sem raízes: é ainda mais triste do que um escritor que não é erudito.

7- Ler os melhores autores que escrevem no género de literatura em que se quer singrar.
É essencial ler o que de melhor se escreve na área em que se quer fazer uma carreira (ignorem o pior, porque é uma perda de tempo). Não só nos obriga a questionar o que é que temos para oferecer que seja melhor que aquilo que estamos a ler, como nos faz evitar repetir ideias que já foram publicadas. Ler as melhores referências e conhecer bem a história do género literário em que se quer nidificar é tão vital para um escritor como o hidrogénio é vital para a tabela periódica e eu desconfio dos autores ou aspirantes a autores que desconhecem ou não mostram interesse nenhum em descobrir o que já foi escrito. Isto também se relaciona com a dica número 5.

8- Ser perseverante.
Qualquer um é capaz de começar a escrever um livro, mas terminá-lo é outra história. Escrever bem dá muito trabalho: por isso é que tantos desistem. Sejam perseverantes: não percam tempo com coisas inúteis. Se não têm tempo para escrever todos os dias, por motivos profissionais (ou outros), escolham um dia do fim de semana para passá-lo a escrever e não deixem que nada interfira com essa escolha.

9- Sacrificar-se.
É, somente, uma progressão da dica número 8. Não se pode ter o glamour que uma profissão artística, como a de escritor, traz, sem se ter, também, as horas invisíveis de trabalho árduo e sacrifício. Ser escritor é uma actividade solitária. Não desperdicem em actividades inúteis as horas que poderiam devotar à leitura e à aprendizagem. Fiquem em casa a escrever, porque os livros não se escrevem sozinhos. Tenham o objectivo de ser os melhores naquilo que fazem, senão não vale a pena.

10- Ser sério.
O humor tornou-se uma espécie de língua franca (e um refúgio) que permeia todas as áreas da vida, inclusive as artísticas, mas as consequências disso é que tudo passa a ter uma importância relativa, mesmo aquilo que é verdadeiramente importante. Atrevam-se a ser sérios.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mistero Buffo, até em português


Traduzi alguns excertos do Mistero Buffo, do prémio Nobel Dario Fo, para português.
Vão ser lidos hoje, pelas 22h30, no Espaço Contagiarte. Vale a pena ouvir.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Doenças exóticas para gostos mais refinados



Histórias de Alan Moore, Neil Gaiman, China Miéville, David Soares e... eu próprio.
Mais informação: Saída de Emergência.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Espantosamente, a minha primeira encenação



Em cena no Palácio de Cristal entre 30 de Abril e 2 de Maio.
Repõe na Galeria de Paris a 12 de Maio.
Mais informações.
Dossier aqui.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O tempo de Fernão Mendes Pinto é em Abril


O Retratinho de Fernão Mendes Pinto é apresentado a 24 de Abril na Casa da Cultura de Mira Sintra.

terça-feira, 23 de março de 2010

Os textos sem contexto

A crítica literária Michiko Kakutani reflecte sobre os textos sem contexto...

It’s not just a question of how these “content producers” are supposed to make a living or finance their endeavors, however, or why they ought to allow other people to pick apart their work and filch choice excerpts. Nor is it simply a question of experts and professionals being challenged by an increasingly democratized marketplace. It’s also a question, as Mr. Lanier, 49, astutely points out in his new book, “You Are Not a Gadget,” of how online collectivism, social networking and popular software designs are changing the way people think and process information, a question of what becomes of originality and imagination in a world that prizes “metaness” and regards the mash-up as “more important than the sources who were mashed.” NYT

sexta-feira, 19 de março de 2010

MALACORPO (primeiro momento)

19 MARÇO
21:30
Teatro Helena Sá e Costa
Rua da Alegria, 503 (entrada pela Rua da Escola Normal, 39)

Preço:
Adultos - 10 €
Grupos c/ + 10 pessoas - 7,50 €
Jovens do 12 aos 25 anos, Estudantes, Maiores de 65 anos - 5€
Crianças até aos 12 anos - 3,50 €

"MALACORPO" é uma exploração encantatória dos objectos. Partindo do mundo da infância, do imaginário e da disponibilidade das crianças para se abrirem e moldarem ao mundo que as rodeia, mergulhamos num tempo em que o nosso corpo e a nossa mente eram flexíveis e se deixavam arrebatar pelos objectos e pelas experiências sentidas. Deste modo podemos ir ao fundo do corpo e descobrir as forças visíveis e invisíveis que o fazem mover, compreendendo como é que ele pode ser um objecto que expressa tantas emoções, tantas ideias, tantas histórias.

criação colectiva direcção Luciano Amarelo assistência Isabel Costa dramaturgia Jorge Palinhos interpretação Filipe Caco, Filipe Lopes e Isabel Costa cenografia Daniel Teixeira figurinos Pedro Ribeiro música Filipe Lopes desenho de luz Emanuel Pereira operação de luz Bruno Mendes produção Terra na Boca – uma Associação Cultural com o Mundo lá dentro